Eu te amei por tanto tempo
Que eu acabei esquecendo
quem eu amava.
Eu só me via na obrigação
de amar seja lá qual fosse
essa imagem, esse mistério
essa estátua
estática
Que eu nem lembro mais se amo
Eu te amei por tanto tempo
Que eu acabei esquecendo
de me perguntar se eu te amava mesmo. 

いつか

E se eu morrer? E se eu simplesmente morrer? Se é simples eu não sei. Se é um processo complexo, eu também não sei. Não acredito em simplicidade na morte. Mas não vejo dificuldades também. Só vejo: morte. E se eu simplesmente morrer? A consulta no psiquiatra, os remédios com hora marcada para serem tomados, o leite fervendo no fogão, a louça para lavar… Se eu assim, do nada, morrer? Acaba tudo ou começa tudo? E a comida do Luke, quem vai dar? Quem vai afundar o colchão admitindo-o um formato semi-humano? Quem? Quem serei? Quem vai choramingar por não ter você, se eu simplesmente morrer? いつか, いつか

Te amar é dormir com vontade de mijar

Te querer é ter fome e o pão estar vencido desdo ano passado. 

Te ver… É apenas te ver. 

ESTOU CANSADO DE TUDO. MAS PRINCIPALMENTE, CANSADO DE TE AMAR. ESSE TRABALHO ÁRDUO, NÃO REMUNERADO. TRABALHO ESTRANHado. TRABALHO VICIADO.

To começando a duvidar da sua existência. Seu rosto tá num fade out que só o toque o desenharia novamente em minha memória. Porque (agora lembrei a palavra em português) ele está apagado… ou ainda, borrado. Mas o que que usa pra apagar memórias? Além desse fator inconsciente que aleatoriamente me apaga da cabeça esses pedacinhos de filme que rodam em meus neurônios. Porque se eu soubesse já tinha apagado uma penca… Teria te deixado, apenas, quiçá. Eu quase consigo assistir à suas mãos levando o lucky strike à boca. Essa imagem quase tem som. Maldita hora que troquei minha lâmpada branca por uma azul. Agora tá tudo azul, tudo blue… E eu não digo isso no mesmo sentido que o Pepeu e a Baby. Lucky strike o caralho!! Agora eu só fumo Derby.

eu nao sei por onde começar, muito menos onde terminar. A minha vontade, no entanto, é que esse fim não chegue. Adversamente, quero sim. Então eu evito olhar pro céu, talvez porque eu vejo o redondo da Terra e sinto-me incapaz de entender o que existe além dela. Evito também olhar pras estrelas. Se as fito demais, elas se mexem. Por vez, dançam bela e docilmente. Outrora estão prestes a me engolir. Ora formam seu rosto. E quando estão diabólicas cantam com sua voz. A morte lenta e dolorosa é uma ideia persistente. A solidão abre caminho para ela. 

                                                Queria viver num quadro de Dalí. Dali eu começo. Dali eu REcomeço. Sem muitas estrelas, sem morte lenta e dolorosa. 

Mas Dalí, te peço um favorzim… Desenha o rosto dele, vai. Surreal ou não. 

Youre alone on tuesday

Sofrer no Rei do Mate, forrando o estômago com um pão na chapa, doze mini pães de queijo e regando a garganta (seca de dizer-te que te quero [mesmo que as palavras não sejam dirigidas exatamente para você]) com um Mate com Guaraná. Ao meu lado há um entretenimento: uma entrevista de emprego. Da japonesa ao gordinho viado. Ai ai, tá eu também sou viado. Oras… Na volta pra casa, você persiste em me assombrar. Há uma estrela que se destaca no preto do céu. A mais brilhante. Quero pedir para você mirá-la. Queria que você me avistasse brilhando um sorriso: eu te amo?? É uma pena que esse já seja meu segundo cigarro. Fumar não me faz bem. Mas não fumá-lo me faz sentir igualmente mal. Sentado no morro dos Teletubbies antes cheio e agora vazio, questiono sobre a veracidade das estrelas. E talvez do resto do universo. Eu queria tanto chorar… Reciclar a dor e doar para quem é feliz demais. Mas só consigo pensar no fato de somente reconhecer as Três Marias… E que você não vai embora dos meus miolos. Caralho, cara. Que saco! 

Bicha

Ó caçador, por qual razão atiça o animal se dele não aproveita a carne? Por que o atrai se não o caça? O bichinho acaba até gostando da tua companhia. O bicho, coitado, só quer saber da sua lança, esculpida da mais nobre madeira das terras paulistanas. Com cabeça dura de um ferro firme. É tão bonita que o bicho, coitado, quer entrar nela. O bichinho, coitado, chora de tanto sofrer. Seria uma honra estar em suas mãos. Mas você não o quer. Você não o caça. Você só o atrai, com essas mãos de toque suavemente pesado, com esse rosto forrado de pêlos, a boca moldada em veludo… E os olhos de súplica triste: qual seria ela? No entando você não o caça. Você não caça-me. Como eu quero ser empalado por sua lança.